Há muito que a ciência faz pesquisas sobre os segredos que facilitem o processo de emagrecimento e a indústria farmacêutica anseia pelas respostas. Agora, uma equipa universitária do Sul da Dinamarca descobriu o que se pode designar como um dos «interruptores moleculares» que ativam o emagrecimento.

Os pesquisadores identificaram um mecanismo por meio do qual as células de gordura branca (a designada gordura má) se transformam em células de gordura castanha (boa), responsável por queimar os depósitos adiposos enquanto consomem as reservas de calorias. A chave está num gene mestre, o ‘KLF11’, que codifica um fator de transcrição capaz de reprogramar a célula e modificá-la. “Demonstramos que a sua ação é necessária para que ocorra esta transformação”, explicou Susane Mandrup, uma das autoras do estudo publicado pela revista Genes & Development.

Segundo o jornal El País, os investigadores recorreram a um fármaco antigo contra a diabetes tipo II (Rosiglitazona), o qual já foi retirado do mercado pelos efeitos secundários associados ao seu uso. Esse remédio foi administrado in vitro em células adiposas convencionais e foi observado como se transformavam em gordura castanha. Este resultado deveu-se à ativação do tal KLF11, que controla a expressão de outros genes. O KLF11 ativa alguns que, por exemplo, são responsáveis por aumentar o número de mitocôndrias nos adipócitos (as células de gordura má). A descoberta abre caminho para atuar diretamente sobre o KLF11 e assim ativar a conversão dos adipócitos em gordura bege. “É um bom candidato a fonte terapêutica contra a obesidade”, disse Francesc Villarroya, autor de diferentes trabalhos sobre gorduras.

O remédio utilizado na pesquisa não pode, no entanto, servir como comprimido emagrecedor, dado que a Rosiglitazona foi retirada do mercado pelos efeitos colaterais que provocava, advertem as fontes. E, além disso, o fármaco não atua diretamente sobre o mecanismo celular: é produzida uma cascata de eventos até à ativação do gene KLF11. No entanto, além de ter apontado o caminho pelo qual seguir para estimular a atividade da gordura castanha, o mais relevante do trabalho científico é ter conseguido chegar ao objetivo desejado: identificar o ‘botão’ a ser acionado (neste caso, o gene KLF11) para reprogramar a célula e queimar gordura.

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